O Movimento Antimanicomial tem o dia 18 de maio como data de comemoração no calendário nacional brasileiro. Esta data remete ao Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental, ocorrido em 1987, na cidade de Bauru, no Estado de São Paulo.
Na sua origem, esse movimento está ligado à Reforma Sanitária Brasileira da qual resultou a criação do Sistema Único de Saúde – SUS.
Há séculos o tratamento que o Brasil dispensa aos seus ditos loucos é um tratamento que humilha e degrada.
Dia 18 de maio é a data nacional da luta contra os manicômios. É o dia de bradar aos quatro ventos que a loucura pode e deve ter o seu lugar no mundo, que as subjetividades individuais contribuem na construção do todo social e que a aceitação das diferenças, sejam elas de que níveis forem, faz parte do ideal de democracia e da esperança de um outro mundo possível.
Nas últimas duas décadas, a Psicologia propôs um amplo debate das políticas públicas de saúde mental. Particularmente o Movimento Antimanicomial se destaca como ação política engajada e comprometida com a transformação na esfera da saúde pautada, eminentemente, num paradigma interdisciplinar que passou a reformular as noções sobre a loucura.
A proposta não é apenas tirar o indivíduo do manicômio, soltá-lo nas ruas ou devolvê-lo para sua casa. É necessária uma ampla estrutura de suporte para permitir à integração progressiva do indivíduo a sociedade e à família, bem como um tratamento psiquiátrico desprovido de doces abusivas de medicamentos. Segundo Marilene Proença, psicóloga atuante na área, “o grande desafio da Psicologia é tornar efetivo um tratamento da doença mental embasado numa intervenção, capaz de resgatar a cidadania e a inserção social de uma população historicamente excluída. Um tratamento que não se limite a prescrição indiscriminada de psicotrópicos, mas que tenha como objetivo o bem estar físico e psicológico do indivíduo”.